por Ventania @ 20:58

Qua, 03/02/10

Mudei-me. Vim para aqui há meses, tentando refugiar-me, com uma capa e uma coroa que serviu de capuz. Nunca me senti plena nesta casa de contornos adocicados e picantes. Tenho mais de sindicalista do que de sangue azul, mais de eremita do que de centro das atenções. Manterei o título, porque um dia me convenceram que sou delicada e especial, quando o turbilhão e o mau feitio permitem. A doçura não tem de ser separada da acidez. Não me conformo a andar em vez de voar, nem consigo confinar-me às paredes, portas e janelas. Esta fortaleza não me serve mais. O dragão de gelo de quem mais me escondia encontrou-me, e decidi deixar de esconder-lhe que grito o que sinto aos sete ventos. É que o vento está-me na essência, muito mais que as delicadas aragens. Nunca deix(ar)ei de ser Ventania.

Esta casa está cheia de declarações de amor em cada parede, amor que é, verdade que sinto. Já disse isto antes, dizer tudo o que se pensa, como os malucos, pode ser nefasto, mas não sei fazer de outra maneira. Disse, digo e continuarei a dizer, queiram ou não, gostem ou não de ouvir. Assumo orgulhosamente as consequências. Citando o ‘meu’ Che Guevara: “antes morrir de pie que vivir arrodillado”. Morta, por dentro, sim, mas de cabeça erguida, consciência limpa e coração puro. Tenho as duas asas feridas. Uma por um dardo envenenado, onde a confiança foi devolvida com traição e mesquinhez; a outra pela ausência que deixa um buraco cheio de razões que devia até agradecer. Quem mentiu ou deturpou que seja muito feliz por baixo das fachadas que foi criando, na escuridão. Quem apanhou a boleia para erguer muros e sustentar fugas, que seja ainda mais feliz e possa encontrar um dia tudo aquilo a que renunciou sem saber.

 

A quem não quer ouvir, a quem quer ignorar a minha existência, só tem de não me seguir. Porque eu continuarei a ser quem sou, com paixão e com muita garra, e a lutar pelos meus sonhos. Continuarei sempre fiel a mim mesma, com todos os meus erros (e vão sendo alguns) acolhidos com dignidade, assumindo todos os riscos. Aquilo que perco pelo caminho, e acreditem que já perdi demasiado do que é importante, só me dá mais força para ostentar a minha bandeira de verdade.

 

 

Não fujo, nem destas paredes nem de quem aqui recebo, com gosto. Pelo contrário, deixei de fugir. E não vou para longe, vou apenas para onde me sinto mais eu. São muito benvindos os que vierem visitar-me à porta do lado. Até sempre.



por Ventania @ 20:52

Dom, 31/01/10

 

 

Estou cansada, sabes? Cansada de chorar com saudades de ti, cansada de esperar que me estendas a mão e o coração, cansada de não saber qual é o meu lugar, cansada de me convencer que não te perdi, a ti e a mim. Estou cansada de não ter vontade de nada, nem de vir, nem de ficar, de não saber para onde me posso virar e chorar mais um pouco sem ninguém ver. Estou doente de cansaço de não saber de ti, de não saber encher o buraco que deixaste na minha vida. Estou cansada de não dizer o que me apetece gritar. E o que me apetece gritar é que preciso de ti, é que nunca deixarei de te amar, é que a tua ausência me levou a vontade de viver. Não sei o que pensas ou sequer se pensas em mim. Não sei se encontraste alguém para colocar na bagagem ou apenas para ocupar o tempo ou se não encontraste ninguém. E também podia gritar que ninguém te vai amar como eu te amo, que nunca ninguém te soube amar como mereces e que mereces tudo mas não se faz o que me fazes. Não há um minuto em que consiga não pensar em ti, não há noite em que os sonhos de ti me dêem tréguas e não há maneira de encontrar saída daqui. Não quero culpar-te, não quero a tua atenção nem a tua condescendência. Mas continuo a querer-te a ti. Aqui, ao pé de mim. Não quero que o passado regresse, quero reescrever cada linha com a mesma tinta de verdade e ternura. Estou cansada de ter de dar as mesmas explicações às mesmas perguntas, de não conseguir reagir aos tantos esforços dos meus grandes amigos. Estou cansada de ter medo de nunca mais te ter. Estou cansada de sentir tanto assim.

 



por Ventania @ 10:44

Dom, 31/01/10

A fashionable e muy talentosa Mau Feitio estendeu a carpete vermelha (como o Batom) e anda a organizar os Óscares da Blogosfera. E nomeou-me para duas categorias: Melhor Escritora num Blog e Revelação 2009! Uau! Estou perfeitamente embevecida.


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por Ventania @ 21:48

Sab, 30/01/10

 

 

Já aqui tenho falado na minha necessidade extrema de verdade. Mesmo sabendo que posso estar a magoar alguém, ou a mim própria, mesmo vendo nitidamente as vantagens de me deixar ficar calada, mesmo sabendo que dar opiniões quando ninguém as pediu pode ser um abuso que coloca pressões nas liberdades alheias. Ferve-me sob a pele tudo o que penso e tenho de expulsá-lo, na hora, nem consigo deixar para depois e dar espaço e tempo para as ideias assentarem, amadurecerem e quiçá mudarem. Porque esta obsessão com a verdade e a fidelidade tem consequências e faz estragos. Quando decido alguma coisa, nada, mas é que mesmo nada, me faz demover. Posso ter todas as provas reunidas à minha frente a dizer que aquela decisão não é a melhor, que vai dar n problemas, que é simplesmente má ideia. Mas sou tão obstinada e faço tanta questão de ser sempre, sem excepção, mulher duma palavra só, que ainda dando a mão à palmatória e admitindo que estou redondamente enganada, não volto atrás. Se digo que irei por aquele caminho, que ninguém duvide, irei. Se me comprometo a fazer uma coisa, venha o que vier, razões, argumentos e obstáculos, farei. Morta de vontade de ir, dizer e fazer, se usei a palavra nunca, nunca irei, nunca direi e nunca farei.

 

Sofro, deixo passar oportunidades, e deixo lágrimas a escorrer. Mas de alguma forma, consola-me saber que esta sentença de carácter faz de mim uma Mulher grande, Honesta e Pura. Ostento, com orgulho (que os pecados capitais são para os crentes), um coração límpido e transparente, onde cada falha é obviada. E falhas, tenho muitas. Mas qualidades tenho muitas mais.


 

 

 



por Ventania @ 00:58

Sex, 29/01/10

  • adormecer antes de ter terminado de jantar
  • adormecer abraçada ao aquecedor
  • fechar os olhos entre duas estações de metro e ter uma epifania on the move
  • baixar os braços e continuar a bater nas paredes
  • deixar de lutar contra as manifestações emocionais mais deslocadas
  • escrever todo o tipo de baboseiras no blogue para fingir que não houve tempo de publicar as páginas e páginas de revoltas e angústias que atormentam cada vez mais
  • resignar os olhos ao inchaço que se tornou constante
  • entregar a saudade a uma fotografia que passou a andar sempre comigo
  • desviar o assunto 24h por dia, quando o assunto me assola 24h por dia

Lutar contra os sentimentos (puros e genuínos, já disse?) cansa com'ó caraças. Tentar esquecer o inesquecível e pôr para trás das costas o que de mais precioso se teve é uma traição; aceitar as impossibilidades e as curvas dum fado escrito por outrem causa-me overload a nível celular. Parece-me que ando a tentar forçar o planeta a girar no sentido contrário com o poder da mente. E a mente está por um fio. Estou verdadeiramente exausta de andar aqui.



por Ventania @ 23:08

Qua, 27/01/10

Cabeça ausente, pensamentos deambulantes que esbarram sempre nas mesmas paredes, redondas, que delimitam este universo-bolha cheio de ausências. Merda.

 



por Ventania @ 22:44

Seg, 25/01/10

Ela ancorou. Ou naufragou. Não se sabe, mas sabe-se que já não navega livre, como as gaivotas que admira no cais. Ela nunca larga o leme, agarra-o com a sofreguidão de quem acredita que escreve o destino e traça a sua rota sem compasso.

A última coisa que lhe passa nos planos é tornar-se um destroço abandonado, mas sabe que não vai aparecer nenhuma equipa de buscas para a salvar. Ela quer salvar-se a ela própria, mas não consegue içar aquela âncora.



por Ventania @ 16:23

Dom, 24/01/10

 

I never wanted anything so much than to drown in your love and not feel your reign.

Set me free, leave me be. I don't want to fall another moment into your gravity.
Here I am and I stand so tall, just the way I'm supposed to be.

But you're on to me and all over me. 



por Ventania @ 21:06

Sab, 23/01/10

 


I'm so tired of being here, suppressed by all my childish fears
And if you have to leave, I wish that you would just leave
Your presence still lingers here and it won't leave me alone

These wounds won't seem to heal, this pain is just too real
There's just too much that time cannot erase

When you cried, I'd wipe away all of your tears
When you'd scream, I'd fight away all of your fears
And I held your hand through all of these years
But you still have all of me

You used to captivate me by your resonating light
Now, I'm bound by the life you left behind
Your face it haunts my once pleasant dreams
Your voice it chased away all the sanity in me

These wounds won't seem to heal, this pain is just too real
There's just too much that time cannot erase

When you cried, I'd wipe away all of your tears
When you'd scream, I'd fight away all of your fears
And I held your hand through all of these years
But you still have all of me

I've tried so hard to tell myself that you're gone
But though you're still with me, I've been alone all along

When you cried, I'd wipe away all of your tears
When you'd scream, I'd fight away all of your fears
And I held your hand through all of these years
But you still have all of me, me, me

 

sad songs remind me of you

 

 


feelin': I've been alone all along

por Ventania @ 16:31

Sab, 23/01/10

 


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por Ventania @ 13:13

Qui, 21/01/10

 

Nunca tinha sentido a pele a reivindicar tanto um toque, como um pólo dum íman debaixo dela, da pele, a chamar, a instigar o outro. Duas peles que têm apetite pela outra, que partilham temperaturas e o mesmo cheiro.

É muito mais do que a pele, porque é tudo o mais no seu expoente máximo. Mas é, sem dúvida, toda a pele. Toda a mordaz tentação a que o tacto não consegue resistir.

É a química, as feromonas que se encaixam tão na perfeição. É o fogo líquido que exige ser saciado.

É a textura de leite nos ombros e naquela curva que eu gosto, no pescoço. É um lóbulo da orelha mordiscado, e depois o outro, lambido. É a ponta do meu nariz a acariciar os mamilos, a subir até ao queixo, a aspirar com vagar e dedicação os aromas das maçãs do rosto ali ao lado.

 É a doçura que derreto e faço pingar em cada gesto e o picante dos sentidos atiçados.

É a pouca vergonha com que me toca. É o umbigo perfeito a beijar o meu num namoro provocante. É a ousadia do joelho que me arrepia as coxas.

É a força nos braços que me guiam e os lábios sempre tímidos a revelar segredos monossilábicos. É a masculinidade imponente, a rebentar de vigor. São os dentes esfomeados nos meus seios e os dedos curiosos nas minhas costas. É a língua, deliciosa e exploradora. São os dedos, enterrados na posse dos corpos.

É o arrepio do abraço pela cintura e a audácia do ritmo inconstante.

Dois desejos entrelaçados, num festim de sexos húmidos e de carnes palpitantes.

É o sal de lágrimas e suor.

É o momento em que o tempo pára para contemplar o prazer.

É a expressão dos olhos fechados, límpidos, inegáveis. É a posição em que dorme cansado e a vontade de tornar a cansá-lo.

 

 

 

 

 



por Ventania @ 23:01

Qua, 20/01/10

Sim, continuo a sonhar acordada com uma cena digna de filme, vista de bem perto, mas ao lado.

Ela chega a casa mais tarde do que o costume, desejosa de um duche e do conforto do sofá. Está alguém de pé, junto à porta, de costas. Ela sobe os degraus com a chave na mão e prepara-se para evitar contacto visual com o suposto vizinho ou visita de vizinho. Ao aproximar-se, reconhece a posição, as pernas, o casaco. O coração tenta saltar pela boca no momento em que esta ia começar a balbuciar um “boa noite” tímido e incógnito. Não chega a dizer nada. Ele vira-se e os olhos dele encolhem, de surpresa, alívio e terror. “Pensava que não me querias abrir a porta. Boas noites.” “O que estás aqui a fazer?” – responde ela com o tom mais seco que consegue e a chave ainda imóvel a meio caminho da fechadura. E são as últimas palavras que trocam naquela noite.

 



por Ventania @ 22:26

Qua, 20/01/10

Já pensei um milhão de vezes em pedir desculpa. Mas não peço. Não posso pedir só porque lhe sinto a falta e lamento as consequências. Pedir desculpas de quê? Se não fiz nada que não fosse exactamente o correcto, aquilo em que acredito e se assumi sempre todas as minhas opções e opiniões. Não peço desculpas por ser quem sou, pensar e sentir como penso e sinto. Orgulhosa? Sim. E sobretudo segura de estar certa, pura e em paz com a consciência.

Ele tem muitos motivos para me pedir desculpas a mim. E eu fui sempre desculpando, sem os pedidos. E continuo a magicar desculpas para negar que uma pessoa que tanto idealizei pode ter falhas daquela dimensão.

Já pensei um milhão de vezes. Como um meio para atingir um fim. Mas teria de passar por cima dos meus princípios. E ele pode até merecer quase tudo, pode até ser tão especial que eu (ainda) ache que valha a pena os sofrimentos, as mágoas e as lágrimas. Mas nada, nem mesmo o grande amor da minha vida, vale mais que os meus princípios.

 



por Ventania @ 22:22

Ter, 19/01/10

Diz-me, sou o teu segredo? Falas em mim ou guardas todas as memórias num sítio escondido, só teu? Vais lembrar-te de mim amanhã? Quando dormes sozinho recordas as nossas noites?

Se falas de mim o que dizes? Contas as palavras que te digo e te escrevo, contas os olhares, tens como explicar ou descreves apenas a versão narrativa sem sal? Pensas em mim quando estás longe ou limitas-te a evitar-me quando estás ao virar da esquina?

Fui alguma vez alguém com quem quiseste ser “algo mais que amigo”? O que te cruzou o pensamento em cada um dos momentos, o que te fez mudar de ideias de cada uma das mil vezes?

Que verdades aceitaste e em que mentiras embarcaste?

Sentes a minha falta como eu sinto a tua? A minha ausência dói-te, ao menos um bocadinho?

Sabes o quanto eu gosto de ti? Sabes o que é gostar assim? Quem te abraça quando te calas e deixas falar o fantasma que carregas no peito?

Quanto tempo mais vais demorar?


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por Ventania @ 03:57

Seg, 18/01/10

2009 foi dos piores anos que sempre para mim, pelo menos nesta encarnação. Mas nem tudo foi mau, claro. Para tentar compensar os desaires, o universo arranjou maneira de me brindar com duas vibrações muito zen. Durante uns meses, duas vezes por semana, formava-se um trio muito especial, identificado pelo sonoro gargalhar tantas vezes inoportuno. Fiz duas amigas. Dois doces, muito especiais. Algo me diz que as nossas aventuras triangulares ainda só agora estão no prelúdio.



por Ventania @ 20:03

Dom, 17/01/10

Areia. Leve, mutável, instável. Dourada, mágica, onde voámos por cima das estrelas.

As histórias são feitas de pequenos grãos, que podem unir-se e pausar, ou podem voar para qualquer direcção. Podem ir, ou ficar. Cada grão um breve instante, com várias faces. Cada grão um mundo.

Nós dois, um deserto. Tantos, tantos grãos, tantos momentos, tantas emoções. Vão para onde o vento os soprar.

 

 

O nosso nome tatuado na areia vai permanecer, no matter what. 

 

 


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por Ventania @ 09:45

Dom, 17/01/10

 

The real thing. Not cassia. E quem se contenta com uma imitação quando se deseja o original, quem almeja um simulacro se a emoção só é verdadeira quando os momentos são reais?


Se ainda sonho com O desejo? Sempre. Como não?



por Ventania @ 06:42

Dom, 17/01/10

 teria sido um bom dia para as "cartas da Maya" acertarem em cheio.

 

SAÚDE: A conjuntura ilumina o seu dia. 
AMOR: Será finalmente presenteado com gestos de amor, por quem esperou tanto tempo que se manifestasse.
DINHEIRO: Novas propostas profissionais surgirão na sua vida, como uma lufada de ar fresco.



por Ventania @ 10:50

Sab, 16/01/10

Se abriria a porta?

Abrir uma porta não significa apenas deixar alguém entrar. Significa que se está pronto para sair e explorar sítios novos, lá fora e cá dentro. Dentro de mim. A ti deixava-te entrar, como deixei sempre, tu entraste mal viste uma brecha, sem perguntar se podias. E eu não te expulsei. Achei até que entraste com tanta avidez que querias mesmo cá estar, e ficar. Entraste de rompante, impuseste a tua voz no meio dos meus sonhos e agarraste-me pela cintura. Deste-me a mão, levaste-me portas fora e portas dentro com rodopios, com esses sorrisos que me desfazem por dentro, com carinho e cumplicidade, possuíste-me, com força, com o que se parecia com mais do que paixão movida a desejo. E um dia saíste sem te despedires, deixaste a porta aberta e eu fiquei, parada, a ver-te longe, agarrada ao espanto do vazio e à solidão da dor. Chegaste a voltar, envergonhado e a medo, quase que a pedir desculpa por não teres resolvido as dúvidas que persistem como ferrugem num prego velho. E com mais amor que medo te voltei a abrir a porta. Agora, que não sei de ti, não sei o que pensar ou onde deixei o coração, decidi manter a porta aberta. Porque tenho todos os motivos para a trancar e vedar a pessoas como tu. Mas repara, está vedada aos outros. A minha porta convida-me a sair, mas eu não vou longe. Não quero ir sem ti. Se soubesse como encontrar-te ia até ao fim do mundo buscar-te, salvar-te. Quando quiseres ser salvo, a minha porta está aberta para ti. E só a fecho quando vieres com mais do que a paixão movida a desejo.

 



por Ventania @ 04:11

Sex, 15/01/10

Hoje pensei nos erros que me dizem que cometi. Há erros que não o podem ser, fizeram-me feliz. Faria tudo de novo e repetia se pudesse.

E também há erros que o são, e que ainda assim repeti. Hoje, faz sentido recuperar isto.



por Ventania @ 21:51

Seg, 11/01/10

Sinto-me a viver uma vida dupla. No trabalho, ou perto de outras pessoas, comporto-me como sempre. Bem disposta, mau feitio, sempre pronta a ajudar, concentrada, empenhada, irritável, arrogante e com as sensibilidades à flor da pele. Ninguém diria que por dentro me sinto desfeita. Os melhores amigos sabem que algo está errado. Quando perguntam, digo-lhes. Os outros, que não perguntam, sabem só que ando com o olhar mortiço e posto no infinito. Continuo a rir como dantes, mas não a sorrir, dizem. Continuo sempre disponível para ouvir, mesmo quando tenho outras urgências a requerer atenção. Ninguém sabe o aperto que tenho no peito e que me faz querer deixar de respirar. Poucos seriam capazes de compreender. Ninguém diria que uma fotografia, uma canção, uma memória, uma cena na TV, são capazes de apertar o peito até que o ardor o faça rebentar. E eu rebento juntamente com os cacos de coração e sangue e tripas, a cada dia que passa. E tenho medo de chegar o dia em que não consiga levantar-me e erguer a cabeça para viver o lado B, para viver a personagem que não posso ser eu. Já o tenho dito, tenho saudades de mim. E dele, tantas. A ideia do "nunca mais" apavora-me. Porque meti na cabeça uma ideia vinda das profundezas da alma: que o sentido da vida está nos olhos dele, que o amor mora nos beijos dele, que a sensualidade está debaixo da pele dele. Ninguém diria que as minhas definições pudessem ser tão redutoras.

Mais que a ausência, mais que uma separação, dói que ele nunca tenha sentido o suficiente, nunca tenha gostado de mim o suficiente, que eu nunca tenha sido boa o suficiente para lhe merecer uma brecha de oportunidade. Ninguém diria que há palavras que mesmo a toda a distância ainda magoam e martelam os pensamentos, e ninguém diria que podem doer tanto, paralisar o coração, dar vómitos e mandar ao chão os joelhos desistentes.

Ninguém diria que não passa um minuto em que não me lembre, e tente esquecer. Ou que quando sonho acordo com o cheiro dele na almofada e posso jurar que sinto uma mão quente nas costas e a respiração dele no meu pescoço. Tão racional, tão pragmática que eu era. Ninguém diria que ainda espero estar um dia já em pijama quando a campainha tocar e for ele que me chega sem palavras, ao reencontro de tudo o que nunca chegou a ser.

Nem eu diria.



por Ventania @ 19:38

Dom, 10/01/10

Há tempos pensei ter feito uma amiga. Uma feliz coincidência, daquelas que não se quer acreditar que o sejam, trouxe-me de encontro às palavras dela. Fui lendo e atentei que a desconhecida não era incógnita. Sosseguei o espanto e sorri. Percebi dimensões de sentimentos que não foram os meus, solidarizei-me com a candura destes e com as dores que neles se enraizaram.

A ternura foi-se instalando, foram trocadas confidências e selados pactos de confiança. Meio a medo, tanto me diziam para ter cuidado, que as pessoas não são todas como os meus olhos as vêem. Agora que penso nisso, a minha antiga-nova-amiga disse-me o mesmo sobre outra pessoa. "Tem cuidado, não te magoes." "É boa pessoa, mas..."

Mas quando os sentimentos são puros e desinteressados, os cuidados são deixados de parte. Achamos que não precisamos de ter cuidado, aqueles a quem queremos bem jamais poderão querer-nos mal. O resultado parece que não foi famoso. Magoei-me, magoaram-me. O broto de amizade desinteressada e genuína que achei que tinha encontrado foi decepado. Pior, perdeu-se a confiança. Pior ainda, as consequências, se quisermos condensar mil razões num bode expiatório chamado "mentira (?)", foram trágicas e ardem-me na pele, todos os dias, arderão sempre. Não querendo encapsular todas as raivas e angústias neste engano, que as culpas não são só de quem erra, são também de quem acata o erro e vira as costas à verdade, dói. Sinto-me defraudada. Sinto-me ultrajada e profundamente decepcionada. Como me tenha sido prometida uma amiga com quem trocaria poemas e memórias e, quando abri o pacote lindamente embrulhado, me tenha saído uma reles e bidimensional fotografia desfocada, uma sombra fria de tudo o que se anunciou. Afinal, foste apenas mais uma desilusão, mais uma pessoazinha ofuscada com o brilho do orgulho, bem no centro do umbigo.

Não sei, de facto, que tipo de pessoa serás.


E quanto mais lhe tentavam fechar a boca para que não se escapassem verdades, mais as ideias replicavam, maiores os gritos que o seu olhar plantava.



por Ventania @ 01:49

Sab, 09/01/10

 

Sim, sempre te vi mais por dentro que por fora, que olhar nos teus olhos de cores indecisas diz-me tudo o que preciso de saber para te conhecer do avesso. Curioso como és daquelas pessoas que não é nada daquilo que aparenta à primeira vista (e eu sempre o soube). E lutas demasiado para seres quem pretendes; prefiro quem és. Apesar dos pesares.

Bom fim-de-semana, meu amor.

 

(Sim, passou-se de vez. Algum dia tinha de ser. Já ninguém esperava outra coisa, só não se sabia bem quando é que seria.)



por Ventania @ 21:43

Sex, 08/01/10

 

In so many ways. I'm so lucky to have them.



por Ventania @ 00:39

Sex, 08/01/10

 

Este é para ti. Pensa o que quiseres, é o que eu desejo para ti.


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por Ventania @ 22:13

Qui, 07/01/10

 fazes-me rir. Juro. Mesmo sem me dizeres uma sílaba, só mesmo esse teu jeito de fugir a quem és... Devia estar zangada e barafustar e tal, eu sei, mas eu não sou normal (tu sabes). Fazes-me chorar também, demasiado. Umas vezes pelas dores que me infliges, outras pelas dores que sentes e eu, realmente, lamento. Mas hoje fizeste-me rir. Só mesmo tu, com essa criatividade toda para obliviar o óbvio. "Princess Shin"?! Deve ser por estas e outras que gosto tanto de ti. Aliás, adoro-te e não vou privar-me de dizê-lo! ADORO-TEEEE!

Não, não me esqueci que existes. Já te disse que nunca poderei esquecer. E tenho saudades tuas. Espero que estejas bem e que sintas muito a minha falta. (Honestidade sempre, doa a quem doer... E eu sei que vai doendo. A mim também.)

 

Vá, sorri...

 



por Ventania @ 20:35

Qui, 07/01/10

 

 

I will stop it, someday.



por Ventania @ 20:32

Qui, 07/01/10

300

 

 



por Ventania @ 07:37

Qui, 07/01/10

 



por Ventania @ 22:43

Qua, 06/01/10

 



por Ventania @ 22:11

Qua, 06/01/10

Ridículo é eu ficar com os joelhos a tremer quando te encontro na rua. Tremer toda, não sei bem se de contrariada porque querendo-te, quero afastar-te da vista (na improvável hipótese de que ajude a afastar-te do coração), ou de medo de ai ficar, quebrada em mil pedacinhos, num sopro fulminada pelo teu olhar calado.

 

Ridículo é ainda almejar o tudo de quem não quer nada de mim.



por Ventania @ 22:06

Qua, 06/01/10

 


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por Ventania @ 21:40

Seg, 04/01/10

As palavras não valem nada, já sabemos, são ocas. Mesmo as ditas com vigor e verdade, tendem a trespassar-nos e a não deixar memória. A não ser que magoem muito. Essas tendem a ficar tatuadas na memória, são as mais difíceis de lavar, persistem, languidamente, puxando todas as outras para si mesmas, como um buraco negro.

As palavras não valem nada. Como nos permitimos dar-lhes tamanha importância, acreditar em quaisquer sílabas que alguém se lembra de juntar? As mentiras não são mais do que palavras, palavras na ausência e na distância de factos. Ainda que sejam, concedo, interpretações retorcidas duma verdade desfocada. E as mentiras são abomináveis. Abomináveis amontoados de palavras insignificantes, que não valem nada, mas que têm um inigualável poder corrosivo, destruidor mesmo. E como as palavras não valem nada, nada podemos contra essas mentiras maléficas que alguém plantou de soslaio, nas sombras, às escondidas. Na sombra lá germinam o seu putrefacto caminho e lá se vão apoderando de corações outrora puros.

E quando alguém que pensamos amar nos mente? Ousamos acreditar, porque quem julgamos amar roça a perfeição e vamos engolindo mais ou menos a seco. Vou confessar: alguém que amei mentiu-me, há muito tempo. E eu sabia, tentava não ver, e o amor foi criando rachas. Quando a pressão rebentou o amor desfez-se em cacos e desapareceu na maré. É que os amores construídos sobre mentiras são ocos e fraquinhos.

As mentiras são hediondas e as bocas que as proferem ou os dedos que as escrevem deviam um dia ser condenados ao silêncio, para que não mais magoassem. Deviam, mas não são, porque as palavras não são provas nem testemunhas, as palavras não valem nada. O que se diz hoje desdiz-se amanhã, os sonhos caem por terra, os planos fingem que nunca terão existido nem na imaginação. Afinal, é tão fácil mentir! Dizer que se ama, se odeia, se pretende ou se deseja. Dizer para sempre, dizer nunca mais.  São só verbos, sinónimos e pronomes misturados com pouca mestria e olhos baixos.

Devia aprender a mentir um dia destes. Talvez me fosse menos tumultuoso conviver com as mentiras alheias. Isso e ficar de boca calada quando as verdades andam ao soco para se libertar. Um dia destes...

Acho que fiz outrora o elogio do verbo. Tão fundamental que ele é. Com verbos as mentiras são mais fáceis de articular. E as verdades também. Valem o mesmo. Nada.

 


feelin': hurt, lost and lonely

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