Hoje acordou minutos antes do chilrear que sairia do despertador do telemóvel, pousado estrategicamente no apoio de cabeceira, perto o suficiente da mão preguiçosa que normalmente o calava duas vezes antes de a cabeça despertar na mentalização de que teria eventualmente de sair da cama morna. Hoje deixou-se ficar um pouco, de olhos vagueantes pelo quarto. A cama que sempre ocupa só pela metade esquerda pareceu-lhe mais vazia, como se o seu corpo ocupasse menos espaço e se tivesse intimidado perante a outra metade, cheia de ninguém, lençóis imaculados, sem rugas. Não tinha dona, aquele espaço. Talvez só à figura que ia imaginando, persistentemente; que não queria ocupar aquele vazio, na sua cama e no seu coração, já há bastante tempo. Hoje não esqueceu que desejava ser acordado pela mulher que amava e que se tinha tornado um pano de fundo, quieto e pesado, nos últimos anos da sua vida. Nunca o esquecia; nunca A esquecia. Mas hoje não sentiu a falta dela a dormir em silêncio a seu lado. Hoje esboçava um sorriso por dentro, pensando na possibilidade de vê-la - outra mulher, amiga, que essa sim o amava desde antes de o encontrar. Hoje não calou o som dos pássaros que imaginava patetas e alegres, saltitando no paial da janela; sempre amenizavam mais o despertar de insuficientes horas de sono que o apito estridente de que o resto do mundo parecia ser adepto. Dava-se a pequenos luxos, brinquedos quase todos electrónicos, que lhe permitissem um maior bem-estar. Gostava de si, do seu umbigo e apesar da usual relutância em gastar os cobres que ganhava, com um trabalho de que normalmente gostava e o mantinha entretido várias horas por dia, não se importava de gastá-lo em pequenos mimos, talvez tentando suprimir a falta de aconchegos mais etéreos e emocionais. Telemóvel que nem é de gama muito alta, pensou, mas o som é porreiro. Quase que parecem os sons do acordar do fim-de-semana. Esgueirou-se agilmente de entre os lençóis e rapidamente completou a sua rotina matinal, o banho, a barba. Cantarolou qualquer coisa em frente ao espelho, com o seu jeito de rapazola, abanando tímida e descoordenadamente os ombros e o crânio, enquanto passava a máquina pela cara e pescoço. Deteve-se um segundo e pensou que ela mencionava amiúde a predilecção por barbas de uma ou duas semanas. Tomou cuidado na escolha da camisa, apesar de saber que ela nem repara nesses detalhes. O que ele nem sempre se recorda é que ela gosta dele de qualquer maneira, amarrotado ou roto, de fato e gravata ou descalço, de calções ou despido. Colocou uns borrifos de perfume, viria ela a presumir que para lhe agradar. Ela não tinha pensado nele naquele dia, não na possibilidade dum fugaz encontro, o que lhe causou estranheza quando reflectiu. Talvez se tenha habituado às ausências, sempre presentes.
Meu coração tardou. Meu coração
Talvez se houvesse amor nunca tardasse;
Mas, visto que, se o houve, houve em vão,
Tanto faz que o amor houvesse ou não.
Tardou. Antes, de inútil, acabasse.
Meu coração postiço e contrafeito
Finge-se meu. Se o amor o houvesse tido,
Talvez, num rasgo natural de eleito,
Seu próprio ser do nada houvesse feito,
E a sua própria essência conseguido.
Mas não. Nunca nem eu nem coração
Fomos mais que um vestígio de passagem
Entre um anseio vão e um sonho vão.
Parceiros em prestidigitação,
Caímos ambos pelo alçapão.
Foi esta a nossa vida e a nossa viagem.

Devias ser tudo o que não és.
Desejei-te de mil outras maneiras.
Rejeitei-te sem antes te ter considerado possível.
Agora decidi-te.
Não preciso de mais do que sou.
Serei o teu tudo.
Deves ser tu que me andas a consumir todas as lágrimas que se recusam sair.
Não sei se tudo acontece por um motivo.
Podes bem ser o meu motivo para aqui ter chegado.
Sozinha, mas de pé.
Agora, seremos amados.
Eu por ti e tu por mim.
As formas, as sombras, a luz que descobre a noite
e um pequeno pássaro
e depois longo tempo eu te perdi de vista
meus braços são dois espaços enormes
os meus olhos são duas garrafas de vento
e depois eu te conheço de novo numa rua isolada
minhas pernas são duas árvores floridas
os meus dedos uma plantação de sargaços
a tua figura era ao que me lembro da cor do jardim.
in "Ossóptico e Outros Poemas"
Chego a uma altura na vida, e fazem-me as circunstâncias e condicionantes pensar em coisas destas. Já há tempos tinha escrito uma declaração de últimas vontades, em jeito de testamento. Não tenho ideias de bater a bota nos próximos, digamos, 50 anos (que tenho tanto mundo ainda por calcorrear, sabores e texturas por sentir, beijos por dar, livros por ler…). Mas começo a estar mais consciente de que tudo é efémero e que a vida dá muitas enormes voltas em poucos segundos. E como sou um niquinho de nada perfeccionista e controladora, achei por bem deixar as últimas ‘ordens’ bem explícitas e umas mensagens de “ponto final”, que as restantes vou tentando entregar em mão e na hora.
Não vou partilhar aqui, naturalmente, até porque se contam pelos dedos duma mão (e ainda sobram dedos) aqueles que me conhecem a mim, a pessoa que faz uns turnos de Princesa Canela, e este espaço. Mas saibam que odeio despedidas e prefiro escrevê-las quando tem de ser.
Closed off from love
I didn't need the pain
Once or twice was enough
And it was all in vain
Time starts to pass
Before you know it you're frozen
Ooooh...
But something happened
For the very first time with you
My heart melted into the ground
Found something true
And everyone's looking 'round
Thinking I'm going crazy
Chorus:
But I don't care what they say
I'm in love with you
They try to pull me away
But they don't know the truth
My heart's crippled by the vein
That I keep on closing
You cut me open and I
Keep bleeding
Keep, keep bleeding love
I keep bleeding
I keep, keep bleeding love
Keep bleeding
Keep, keep bleeding love
You cut me open
Oooh, oooh...
Trying hard not to hear
But they talk so loud
Their piercing sounds fill my ears
Try to fill me with doubt
Yet I know that their goal
Is to keep me from falling
Hey, yeah!
But nothing's greater
Than the rush that comes with your embrace
And in this world of loneliness
I see your face
Yet everyone around me
Thinks that I'm going crazy
Maybe, maybe
Chorus:
But I don't care what they say
I'm in love with you
They try to pull me away
But they don't know the truth
My heart's crippled by the vein
That I keep on closing
You cut me open and I
Keep bleeding
Keep, keep bleeding love
I keep bleeding
I keep, keep bleeding love
Keep bleeding
Keep, keep bleeding love
You cut me open
And it's draining all of me
Oh they find it hard to believe
I'll be wearing these scars
For everyone to see
I don't care what they say
I'm in love with you
They try to pull me away
But they don't know the truth
My heart's crippled by the vein
That I keep on closing
You cut me open and I
Keep bleeding
Keep, keep bleeding love
I keep bleeding
I keep, keep bleeding love
Keep bleeding
Keep, keep bleeding love
You cut me open and I
Keep bleeding
Keep, keep bleeding love
I keep bleeding
I keep, keep bleeding love
Keep bleeding
Keep, keep bleeding love
You cut me open and I
Keep bleeding
Keep, keep bleeding love

"Eu sou capaz de tudo, se acreditar. Querem ver?"
Porquê, perguntam-me vezes demais. Porque cedeste se sabias que ia acabar assim? Porque aceitaste ir? Porque te entregaste a instantes de luz intermitente se a escuridão dói mais assim?
"O que é que ele tem de especial que a faz querer tanto e aceitar receber tão pouco?"
Podia dissertar longamente sobre as razões, sobre o que ele significa, sobre o que eu sinto e sobre os muitos momentos que fizeram despertar os "pedaços desfiados de esperança". Culpa dele? Talvez. Who cares?
Disse-lhe uma vez que tinha muitas razões para dizer que não e só uma para dizer sim.
Quem eu sou define-se assim. Fiel ao que penso e, sobretudo, ao que sinto. E basta.
Under your spell again
I can't say no to you
Crave my heart and it's bleeding in your hand
I can't say no to you
Shouldn't let you torture me so sweetly
Now I can't let go of this dream
I can't breathe but I feel
Good enough
I feel good enough for you
Drink up sweet decadence
I can't say no to you
And I've completely lost myself and I don't mind
I can't say no to you
Shouldn't let you conquer me completely
Now I can't let go of this dream
Can't believe that I feel
Good enough
I feel good enough
It's been such a long time coming
But I feel good
And I'm still waiting for the rain to fall
Pour real life down on me
'Cause I can't hold on to anything
This good enough
Am I good enough
For you to love me too?
So take care what you ask of me
'Cause I can't say no
Não, não ando a ter. Aliás, é raro. Acontece quando estou muito cansada (ao ponto de não conseguir descansar decentemente), muito ansiosa, e... that's it. Nem sempre a razão é nítida e imediata, às vezes ando ansiosa sem saber bem porquê (tenho uns malvados duns instintos, ou sexto sentido, ou intuição feminina ou seja o que for, que vou ignorando, mas não devia). E vocês? Contem-me tudo. O que vos tira o sono? Café a mais? Preocupações, arrependimentos, pesos na consciência?
O que estavam a fazer esta madrugada às 02:34 ou às 05:53, por exemplo? A pensar em quem amam, a roncar ruidosamente, a caminho do trabalho? Eu estava a dormir, profundamente, de consciência em paz, talvez mesmo a sonhar.
E o que fazem para combater as insónias? Contar carneirinhos resulta? Tricot, puzzles, ler as páginas amarelas?

Era um embrulho pequeno, sem caber no bolso dum casaco. Rectangular, papel e laço branco. Para comemorar. Ou lamentar. Porque sim, havia algo deveras importante, mas nunca saberás, não por mim nos próximos 20 anos, pelo menos. Mandei o embrulho fora, perfeitinho, sequer o amachuquei antes. Directo para o contentor. Como devia fazer contigo.

Há pessoas que me fazem pasmar. De espanto, queixo caído, incrédula e sem reação. Porque são ridículas, porque são más, porque mentem, porque distorcem. Outras ocasiões, ou outras pessoas, me fazem pasmar pela coragem, pelo risco, a ousadia. Admiro-as secretamente. Tomara ter a confiança de dizer aquilo sem a voz tremer. Já pasmei com a generosidade, com a subtil percepção dum lamento quando se diz uma palavra, quando me abrem a alma perante os incrédulos olhos. E pela crueldade. Pelo incumprimento de promessas, de juras, pelos sonhos renegados.
Por estes dias, pasmo sobretudo comigo. Mais do que algumas vezes me disseram que sou uma caixinha de surpresas. "Q.b.", parafraseio. Quem acredita pouco no que tem por dizer limita ao mínimo as sílabas, di-lo tão "vagamente" quanto possível.
"O que queres de mim?" "Não sei. Algo entre o tudo e o nada." (Devia ter perguntado se os intervalos abertos ou fechados, ][ ou [].)
Adiante.
Eu que tanto prezo a beleza do inesperado, a poesia da exclamação, encontrei em mim mesma surpresas de pasmar. As possibilidades são infinitas. Ir, até onde quiser, a galope ou a voar. Eu sou capaz de tudo, se acreditar. Querem ver?
One day Ill find relief
Ill be arrived
And Ill be a friend to my friends
Who know how to be friends
One day Ill be at peace
Ill be enlightened
And Ill be married with children
And maybe adopt
One day I will be healed
I will gather my wounds
Forge the end of tragic comedy
I have been running so sweaty my whole life
Urgent for a finish line
And I have been missing the rapture this whole time
Of being forever incomplete
One day my mind will retreat
And Ill know God
And Ill be constantly one
With her night dusk and day
One day Ill be secure
Like the women I see
On their 30th anniversaries
I have been running so sweaty my whole life
Urgent for a finish line
And I have been missing the rapture this whole time
Of being forever incomplete
Ever unfolding
Ever expanding
Ever adventurous
And torturous
But never done
One day I will speak freely
Ill be less afraid
And measured outside of my poems
And lyrics and art
One day I will be faith-filled
Ill be trusting and spacious
Authentic and grounded
And whole
I have been running so sweaty my whole life
Urgent for a finish line
And I have been missing the rapture this whole time
Of being forever incomplete

still (more and more) spooked...

Ela acredita que foram feitos um para o outro e que essa é a mais incontornável verdade de bolso.
Ele acha que ela o critica e o deseja mudar, não percebeu ainda que ela o aceita e admira por tudo o que ele é.
Ela acha que ele faz finca-pé em ser mártir e que ele utiliza o desgosto como um porto de abrigo. Ele chama-lhe teimosia, raramente amor. Ele sabe que aquele amor já passou e que é só por ser impossível e trancado no pretérito que tem um encantamento romântico. Ela queria puxá-lo para baixo da sua asa e protegê-lo, porque sabe que ele se magoa e que mais ninguém compreende a sua dor. Ela compreende bem a dor dele e detesta compreender. Porque ele não compreende a dimensão da dor dela. Ele acha que o amor é racional, ela sabe que não.
Ele esforça-se por ser um cabrão idiota. Ela inventa-lhe desculpas em vez de se enfurecer. O amor dela é resiliente, não perde cor com o tempo nem com as mágoas. É um amor maior e melhor do que o que ele perdeu. É real, é verdadeiro, e ela acha que isso devia valer pelo menos uma brecha de oportunidade. Ele tem medo, presume ela.
Ele receou e ansiou a proximidade e cedeu. Ela receou e recusou, mas também cedeu. Ele deu, ela deu. Ele tirou. Ela penitencia-se por não ser quem devia, quem ele queria. Chora, não come, mas todos os dias segue de cabeça erguida, sustentada pela armadura holográfica.
Ele pensa que ignorá-la protege ambos e apaga o passado. Ela reforça e lamenta a certeza da sua razão.
Getting really really spooked... And the one person who should really mind doesn't seem to be at all interested. Moral dilemma... Panic!
Já sabem que não sou gaja com muita pachorra para certas coisas de gaja, não sabem? Mas por ser para a miúda e porque não sou mal-agradecida...
Diz que há "regras":
1. Postar o link de quem indicou;
2. Postar o selo;
3. Passar o selo a 5 blogs perfeitinhos;
4. Responder às perguntas.
Mania: De ser perfeccionista, de dizer sempre a verdade ou nothing at all, de ser demasiado directa e nunca desistir de nada.
Pecado Capital: Na minha religião não há pecados... Mas evitar arrependimentos pelo que não se faz está na ordem do dia, portanto, é sugar o tutano à vida enquanto cá estamos. (Não sou muito preguiçosa, nem muito gulosa, nada invejosa, não cobiço nada nem ninguém, só cedo a luxúrias quando entrego o coração, sou um bocado avarenta, contudo generosa. Mas sim, a Ira toma conta de mim de vez em quando...)
Melhor cheiro do mundo: Maçãs verdes, canela, baunilha, terra molhada... Tantos cheiros tão bons!
Se o dinheiro não fosse problema: Não estaria aqui. Estaria a realizar uns quantos sonhos, meus e de alguém mais, pelo mundo fora.
História de infância: A estória da Carochinha e do João Ratão foi-me repetida vezes sem conta. :) Mas a feminista em mim nunca foi muito na conversa desesperada da outra que queria casar, não obstante achar alguma piada ao tipo cair no caldeirão. Por isso gostava mesmo era de estórias de (outras) princesas, Bela Adormecida, Branca de Neve e Gata Borralheira.
Habilidade como dona de casa: Gosto bastante de cozinhar com criatividade, de limpar e arrumar, adoro o cheirinho a casa lavada. Uma menina prendada, como se vê. ;)
O que não gosto de fazer em casa: Passar a ferro. Odeio, é tortura. Por isso não o faço. :D
Frase preferida: É só olhar ali para baixo do título. "In two days tomorrow will be yesterday."
Passeio para o corpo: Qualquer sítio onde tenha gostado de ir, repetido sem mochila às costas.
Passeio para a alma: Todos os sítios onde ainda não fui ou onde tenha gostado de ir (e agora já pode ser com a mochila às costas).
O que me irrita: A ignorância, a prepotência, a mesquinhez, os preconceitos. Já se vê que me irrito frequentemente...
Frases ou palavras que uso muito: "Não é fácil" (e lembro-me sempre da canção da Marisa Monte), "Vê o lado positivo",...
Palavrão mais usado: Merda, porra, shit. Não são palavrões, são palavrinhas, que não uso disso (palavrões) e detesto ouvir, ler ou sequer que me cruze o pensamento. Acho falta de nível.
Vou aos arames quando: Quando me mentem ou deturpam as coisas. Quando trabalho para o boneco, quando sou contrariada (princesa mimada...).
Talento oculto: Andam de facto um bocado ocultos, os meus talentos, mas escrevo, fotografo, pinto, desenho...
Não importa que seja moda, eu não usaria nunca: Peles de animais, brincos pendurados.
Queria ter nascido a saber: Voar. E saber o que sei hoje, que não é grande coisa, mas saberia mais cedo o que desde sempre procurei.
Passo o selo a quem o quiser apanhar. :)
Xi, que estou atrasada. Mas prometi, e cumpro. Foi o pequeno ouriço que me falou de abraços. E se eu gosto de abraços...
1 - Quem mais gostas de abraçar no presente? O meu pai, a minha avó. Os meus queridos Amigos, por quem dava a vida. E a pessoa mais maravilhosa que alguma vez existiu, mas que não quer ser abraçada por mim.
2 - Quem nunca abraçarias? Nunca digo nunca.
3 - Quem davas tudo para poder abraçar? Tudo, tudo, não dava. Mas dava muito para poder abraçar quem já partiu e deixou saudades. O meu avô, o meu padrinho e duas outras pessoas que foram mais que família.
4 - A quem davas o teu melhor abraço? Cada abraço que dou é o meu melhor. Cada um é dado com sinceridade e amor. Ou então não dou.
Passo este abraço, com um abraço:
- à miúda
- à Marta
- à Diana
- à Artemisa
- ao tai_chi_smoker
- ao Francisco
- à Mau Feitio
- à Pinky
- ao gajodebotas
Dizia-me alguém um dia da semana passada, por entre as sombras da cidade a anoitecer, que no alcatrão também nascem flores. Não duvidei, como nunca duvido que a força da vida seja maior que tudo e que vença quantas camadas de vis obstáculos se lhes surja.
Não me recuso a florir sob um Sol menos quente, estejam as nuvens alinhadas de modos apetecíveis. Nem me resigno a estagnar e empedernir. As grandes certezas que me sustentaram a vida toda estão a ser substituídas por dúvidas. Os dogmas abalados, um por um. O tom imperativo a ser substituído por reticências. Estou a suavizar-me, e bem precisava, que as cascas ásperas não repelem só os toques indesejáveis e não têm de ser sempre os outros a desbravar terreno por entre o mau feitio para chegar ao núcleo de mim. Estou, devagarinho, a deixar de ter vergonha de ser quem sou, a expôr-me, a deixar cair o pano. Sim, sou ultra-sensível e comovo-me facilmente, tenho feridas que doem quando se lhes põe sal, tenho complexos de sobra, gosto mais de pessoas do que admito, sinto saudades de quem já não está, sou de carne e osso, falível e fraca, talvez venha até a descobrir alguns medos. Nem sempre tenho os pés assentes na terra e sonho acordada com as coisas mais simples, gosto de atenção masculina e de ser mimada.
Obrigada, R., por tentares com tanta convicção tirar-me o resto da casca. E pelo gelado numa noite fria. Por me fazeres sentir que não sou sempre à prova de bala. Mas entende que eu serei sempre eu, nunca quem queres e imagines que seja. Sou diferente de quem imaginas, sou pautada por sentimentos, princípios e convicções maior que a tua e a minha vontade juntas. E da minha vontade já falei. O que será de nós amanhã ninguém sabe. Mas eu sei que o meu lugar não é aí.

Porque as minhas são muitas e ainda andam aos trambolhões, sem o vagar de se sentarem, respirar fundo, alinhar num sentido imaginário que sabemos que não vai fazer sentido. E porque insisto em ser advogada do diabo, a favor e contra mim, em simultâneo e em alternância...
Vão lá ver...
"... e quando é amor damos tudo, e quando damos tudo, resta-nos nada, e é com esse nada que temos de continuar..."
"O amor, os sentimentos, são incêndios descontrolados com que as pessoas gostam de brincar, reduzidos á dimensão de fósforos..."
É outono, desprende-te de mim.
Solta-me os cabelos, potros indomáveis
sem nenhuma melancolia,
sem encontros marcados,
sem cartas a responder.
Deixa-me o braço direito,
o mais ardente dos meus braços,
o mais azul,
o mais feito para voar.
Devolve-me o rosto de um verão
sem a febre de tantos lábios,
sem nenhum rumor de lágrimas
nas pálpebras acesas.
Deixa-me só, vegetal e só,
correndo como rio de folhas
para a noite onde a mais bela aventura
se escreve exactamente sem nenhuma letra.
Apercebi-me, enquanto dormias de olhos cerrados, que a paixão era muito mais que paixão. Passámos metade da noite a conversar como se não houvesse amanhã. Foi a primeira vez que passámos tantas horas juntos e estávamos deliciados com as descobertas. Eu tinha dormido no avião, tu acordaste-me com um fio de água. Tu e o teu sono, resilientes, só chegados ao destino sucumbiram ao cansaço. Dormias a meu lado, tranquilo, como uma criança de colo no conforto da sua mãe. Eu observava-te, imóvel, com tanta vontade de te passar a mão pelo rosto e dar-te os mimos que nunca dei, como nunca ninguém deu, não com tamanho carinho, com tanta doçura.
Resignei-me à confirmação do que já sabia: tinha-me apaixonado irreversivelmente por ti, pela pessoa que és. Um ano depois, só desejo que te desprendas de mim. Ou que não queiras desprender nunca mais.
é melhor nem dizer nada...

It's because I met you
It's because I'm here
It's because I felt you
It's because I'm near
That's the reason why
You don't have to go
The reason that I adore you
You know
(It's because I met you)
It's because I met you
(It's because I need you)
It's because I feel you
(It's because I want you)
It's because I love you
You put me into it
And now you want me to leave
I'll tell you all the reasons
It's a question of love
[Be strong, be weak, beware]
It's because I met you
It's because I'm here
It's because I felt you
It's because I'm near
That's the reason why
you don't have to go
The reason that I adore you
you know
You have nothing to lose
(It's because I met you)
It's because I met you
(It's because I need you)
It's because I feel you
(It's because I want you)
It's because I love you
You put me into it
And now you want me to leave
I'll tell you all the reasons
It's a question of love
It's a question of love
It's a question of love...
You have nothing to lose
(It's because I met you)
It's because I met you
(It's because I need you)
It's because I feel you
(It's because I want you)
It's because I love you
You put me into it
And now you want me to leave

Benvindo, mês de Outubro. Mês de aniversários muito mais que de nascimentos, mês de férias, de memórias. Consegues ser melhor que o último, por favor?
Que é como quem diz: Choose me!
I choose to hide
But I look for you all the time
I choose to run
But I'm begging for you to come
I wanna break
But I know that you can take
I stay a while
To be sure that you're by my side
Oh, oh
Don't look at me, just look inside
'Cause I can go through
Tell me, are you goin' tired
Of what I don't do
I wanna see, I wanna fight
'Cause I don't feel scared
Honey, if you care
I choose to find
Things that you left behind
I choose to stare
But I can take you anywhere
I wanna stay
But my soul leaves you anyway
Can close the door
And love, could you give me more
Don't look at me, just look inside
'Cause I can go through
Tell me, are you goin' tired
Of what I don't do
I wanna see, I wanna fight
'Cause I don't feel scared
Honey, if you care
Choose love, choose love, love
Choose love, choose love, oh
Don't wanna hear, I wanna fight
'Cause this time I won't be wrong
And I can waste this precious time
Asking where do I belong
So let me know your love is real
'Cause this time you won't control
Tell me please, what do you feel
Do I have to save your soul
(and I want it now, by the way!)

Gosto de gelados no inverno e de chás quentes no verão. Gosto de fazer rabo-de-cavalo e totós. Gosto de dar beijinhos. Gosto de usar lenços ao pescoço. Gosto de fotografias a preto-e-branco. Gosto do Algarve quando chove e da Serra da Estrela sob um Sol abrasador. Gosto de aventuras grandes e pequenas. Gosto de pessoas genuínas e transparentes. Gosto de surpresas. Gosto de negro total. Gosto de aprender e de ensinar. Gosto de botas e de sapatos de plástico. Gosto de rugas de riso nos cantos dos olhos. Gosto de pão mal cozido e nada estaladiço. Gosto de velocidade. Gosto de nuvens densas e chuvadas de granizo. Gosto de açúcar amarelo e edulcorantes artificiais. Gosto de cicatrizes. Gosto de aguardente e de nescafé, de leite magro e iogurtes naturais. Gosto de ruas escuras e estreitas. Gosto do mar sem ondas nenhumas. Gosto de alturas. Gosto do som do violão e da gaita-de-foles. Gosto de comer chocolate de culinária. Gosto de cabelos brancos e grisalhos. Gosto de andar descalça e de peúgas grossas. Gosto da Lua e do céu estrelado. Gosto de tactear texturas. Gosto de ter as unhas muito curtas e sem cor. Gosto de limpar e arrumar. Gosto de estar completamente perdida no meio de nenhures. Gosto de arte surrealista. Gosto de me esconder atrás dos óculos escuros. Gosto de extremos. Gosto de ouvir pessoas a rir. Gosto de sal e de picante. Gosto de lápis macios e escuros e papel liso. Gosto de peles mulatas e de olhos em bico. Gosto de roupa interior preta e básica. Gosto de malmequeres brancos e desalinhados, de lírios e de túlipas. Gosto de passear de mão dada e de abraços. Gosto de cheirar a frutas e gomas. Gosto de ver filmes de terror e romances de fazer chorar. Gosto de miminhos na alma. Muitas ideias para quando eu fizer anos e está quase, quase!